domingo, 28 de fevereiro de 2010

Drogas

video

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Homem e a Máquina - Espaço, corpo do tempo

Ajustamos os controles de nossa máquina do Tempo e começamos a voltar rapidamente ao mundo do passado. Nossos foguetes de recuo exercem forte oposição à natural marcha do Tempo. Em poucos segundos estamos esquadrinhando o mundo de 20 anos passados. Os mísseis de linha de montagem, os aviões a jato e reatores atômicos não existem mais.
À medida que nosso mundo fica mais jovem, torres de rádio e antenas de TV desaparecem. Todas as aeronaves somem dos céus. No início do séculos as estradas pavimentadas se desintegram, transformando-se em caminhos poeirentos. Os automóveis cedem lugar aos vagarosos cavalos e carroças. As lâmpadas elétricas gradualmente se apagam. Usinas elétricas e linhas de transmissão contraem-se até desaparecerem. A primeira baforada da máquina de vapor pára de repente.
O mundo se torna cada vez menos reconhecível à medida que nos movemos rapidamente através dos lentos passos do século XVIII. As cidades industriais que tanto progrediram definham e se transformam em pequenas cidades ou revertem às florestas virgens. Os grandes portos do mundo, tão familiares, são reduzidos a sossegados atracadouros onde navios pequenos descarregam suas cargas raras e preciosas de chá, café e algodão.
À medida que recuamos pelo século anterior, vilas estranhas aninham-se junto aos altos muros dos castelos medievais. Os camponeses se curvam sobre suas enxadas cavando ao lado de seus burros carregados de carga.
Lugares longínquos como a China e o Japão têm outros nomes, tais como Catai e Cipango.
Nossa breve viagem através do tempo termina em Florença, no ano de 1464. Aí se inicia a idade da máquina na mente de Leonardo da Vinci.”

Beril Becker. O Homem e a Máquina. Apud Ruy Moreira. Espaço, corpo do tempo. Tese de Doutorado, Departamento de Geografia da FFLCH da Universidade de São Paulo, 1994).

Cisne do Imperador

Naquele tempo, numa longínqua província do Reino de Cataí, havia um pintor que passava o dia a compreender o incompreensível. A cidadezinha que ele habitava estava tão freqüentemente perdida nas brumas, que se contava que os cães ladravam quando viam o sol. Essa nuvens densas insistentes encobriam literalmente a paisagem, não deixando subsistir nada, a não ser as linhas de força, a curva de uma colina, um som do nada, uma passarela de madeira que levava de nenhuma parte a lugar algum, um pinheiro pontudo agarrando-se ao céu, as barcas no lago, sombras errantes suspensas no cinza do infinito, com suas altas velas retangulares semelhantes aos rolos de papel destinados a receber as enigmáticas caligrafias dos deuses.
O pintor recriava sobre folhas de papel de arroz as invisíveis presenças que a cada dia o rodeavam. Sua destreza com o pincel tornara-se tal, que ele era capaz de representar lagos, rochedos, pássaros e montanhas com poucos movimentos da mão. Mudas de admiração, as pessoas da cidadezinha assistiam aquela transmutação mágica do vazio e da matéria. Antes lenda murmurada, a reputação do pintor se estende tanto, que acaba indo além da fronteira de sua província, até chegar, um dia, aos ouvidos do Imperador. Assim, numa manhã, este último, acompanhado de seu filho mais velho e de muitos membros da Corte, atravessa o umbral da pequena casa. O pintor, emocionado por tamanha honra, não pára de se curvar diante do Imperador. Este lhe declara:
- Dizem que você é o melhor pintor de meu império, e quero ter certeza disso. Peço-lhe para me desenhar um cisne, o mais belo cisne já visto por um olho humano.
- Pois não, Senhor, responde humildemente o artista.
- De quanto tempo você precisará?
- Dez anos, Senhor. Responde com simplicidade o pintor. Dez anos, para pintar um belo cisne, Senhor.
- Está bem. Esperarei e voltarei daqui a dez anos exatos. O Imperador se afasta com os nobres e desaparecem no nevoeiro.
Dez anos se passaram. No dia combinado, o Imperador chega à casa do pintor com sua escolta.
- Vim buscar meu cisne. Onde está ele?
O pintor vai pegar uma grande folha de papel de arroz. Toda branca. Ele medita um instante em silêncio, depois molha o pincel na tinta. E então, sob os olhos maravilhados do Imperador, desenha, em alguns traços, um cisne de tal beleza que o soberano, realmente comovido, deixa escapar uma exclamação de pura admiração. Depois, permaneceu de pé em silêncio, cativado por tamanha perfeição expressiva. Por fim, ele se volta para o pintor.
- Eis uma obra da qual, jamais em minha vida vi tanta sutileza. Eu o cumprimento. Sua mulher e filhos poderão viver felizes: diante de testemunhas, eu lhes ofereço um palácio, um lago e florestas. Contudo, você, mágico do pincel, mandarei cortar sua cabeça por ter zombado de mim fazendo-me esperar dez anos.
Enquanto o pintor, sem dizer nada, se deixa prender diante de sua família em lágrimas, o filho do Imperador, cuja curiosidade o levará aos celeiros de arroz da pobre fazenda, grita.
- Pai, Pai! Venha ver! Venha depressa!
Por toda parte, no chão, nas paredes, havia fardos de papéis, pilhas de papel de arroz nos quais estavam desenhados milhares, milhões de cisnes. O pintor treinara durante dez anos, dia e noite, para oferecer a seu Imperador uma obra digna dele.

Escher
















Imagine

Imagine que não exista o céu
É fácil, se você tentar
Nada de inferno abaixo de nós
E sobre nós somente o firmamento
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o dia de hoje...
Imagine que não exista países
Não é assim tão difícil
Nada pelo que matar ou morrer
E nem religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz
Você pode afirmar que sou um sonhador
Mas não sou o único
Espero que um dia
Você se junte a nós
E o mundo
Será como um só
Imagine que não exista possessões
Fico pensando se você consegue
Sem a necessidade de avidez ou fome
O homem, uma irmandade
Imagine todas as pessoas
Partilhando o mundo todo...



John Lennon

Governo quer chegar a 86 mil escolas com banda larga


28/08/2009
por Celissa Nardocci última modificação 28/08/2009 16:04


O Programa Banda Larga nas Escolas quer chegar a 86.233 escolas rurais. O debate sobre o atendimento desta demanda foi feito no dia 27 de agosto, em encontro de empresas do setor de telecomunicações e representantes governamentais, no Guarujá, litoral paulista.
Após um e ano meio de execução do programa que começou pelas escolas urbanas, o secretário de Educação a Distância do Ministério da Educação, Carlos Eduardo Bielschowsky, disse que a expansão do serviço é positiva. A parceria entre as teles e o governo federal já beneficiou a 29.014 escolas urbanas e a 24 milhões de estudantes, de 3.124 municípios.
Bielschowsky avalia que a meta de atender a 56.685 escolas e 37,1 milhões de alunos em áreas urbanas será cumprida até 2010. A atenção, agora, é como levar o serviço de internet mais rápida para as escolas rurais. “Temos 17% dos alunos brasileiros concentrados nas mais de 80 mil escolas rurais”, observou.
Fonte: http://portal.mec.gov.br

71% dos estudantes com idades entre 13 e 15 anos já consumiram álcool, mostra IBGE

18/12/2009 - 14h42
PUBLICIDADE da Folha Online


A maioria dos estudantes do 9° ano do ensino fundamental que estudam em capitais já experimentou bebida alcoólica. Segundo a Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar, divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira, 71% dos alunos experimentaram bebida, 24% fumaram cigarro e 9% já usaram drogas alguma vez na vida.
Apesar de algumas diferenças, não houve distância significativa entre meninos e meninas. Do total de alunos, 22% disseram já haver se embriagado. As festas são os locais mais comuns para contato com a bebida (37%), seguido de lojas (19%) e até a própria casa (13%).
Estudantes das escolas públicas estiveram mais expostos ao cigarro do que os das escolas privadas (25% contra 18%), e, em comparação, um número maior afirmou ter pelo menos um dos pais fumantes (33% contra 24%). Mas mais alunos de escolas privadas disseram ter experimentado bebida (76%) em comparação com os das públicas (70%).
Curitiba (PR) é a cidade com mais estudantes que disseram ter experimentado cigarro, bebida ou drogas.
Questionados sobre qual seria a reação de sua família, 95% disseram que ela se importaria muito caso soubesse do cigarro, e 94% caso soubesse da bebida.
A pesquisa consultou 60.973 alunos do 9° ano do ensino fundamental em 1.453 escolas públicas e privadas de todas as capitais e do Distrito Federal. A idade média dos estudantes variou entre 13 e 15 anos --10% tinham mais de 16 anos. Quase 80% dos alunos estudavam em escolas públicas e o restante em particulares. O IBGE estima que 618 mil jovens cursam a 9ª série em todo o Brasil.
Pesquisa
A Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar reúne informações sobre as condições de vida do estudante. É a primeira pesquisa da história do IBGE em que os próprios entrevistados responderam ao questionário nos computadores de mão --geralmente eles respondem as perguntas feitas pelos entrevistadores, que anotam os dados. Segundo o IBGE, isso deu mais privacidade aos estudantes para responderem questões sobre violência, uso de álcool e drogas e comportamento sexual.

A População Mundial

Valther Maestro




As perspectivas de elevação populacional do mundo sempre geraram polemicas (Por quê? Problemas estão relacionados ao número de pessoas – que se tivéssemos menos pessoas, os problemas seriam menores). Por causa disso surgiram várias teorias a respeito dos problemas que um crescimento populacional incontrolável poderia criar na Terra.

Uma das questões mais discutidas fundamenta-se na teoria de Thomas Robert Malthus (sec. XVIII), que defendia idéias sobre “leis naturais de crescimento populacional”. Segundo essas leis, o crescimento da população acontecia num ritmo geométrico(1,2,4,8,16,32...), enquanto o da produção de alimentos se dava em ritmo aritmético (1,2,3,4,5,6,7...). De acordo com Malthus, a forma mais adequada de enfrentar esse descompasso seria a adoção de políticas de controle da natalidade. A teoria defendida enfocava principalmente famílias das classes mais pobres da sociedade européia, pois eram essas que tinham mais filhos. Malthus classificou as ações que poderiam diminuir o crescimento populacional em três tipos:

a) as epidemias, as doenças, as guerras e a fome;

b) o uso de métodos contraceptivos (Malthus, apesar de protestante, defendia os métodos anticoncepcionais em nome do equilíbrio populacional);

c) a sujeição moral, que preconizava que o homem deveria casar somente quando tivesse recursos financeiros.

Apesar de Malthus saber que a relação entre a falta de alimentos e o crescimento populacional não é diretamente proporcional, foi essa a forma que ele encontrou para sensibilizar o Estado sobre o que poderia acontecer caso a população aumentasse.

Essa relação entre número de habitantes e quantidade de alimentos ainda hoje é utilizada para justificar o controle da natalidade, que, muitas vezes, aparece camuflado pelo termo “planejamento familiar”. Os argumentos fundamentam-se no fato de que a quantidade de terra para o plantio é limitada e que a produção agrícola não poderia acompanhar o crescimento populacional justamente por causa dessa limitação. Até hoje várias organizações governamentais e fundações que se preocupam em difundir o planejamento familiar fazem recomendações aos governos dos países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos para controlar a taxa de natalidade.

Observe agora alguns argumentos que se contrapõem às idéias propostas por Malthus.

- O crescimento populacional está relacionado a aspectos políticos, sociais, culturais e econômicos referentes às características de cada país.

- No momento histórico em que a teoria foi elaborada, o crescimento populacional era fruto da Revolução Industrial. As relações de trabalho estavam se alterando tanto na cidade quanto no campo, e a introdução de novas tecnologias modificava a vida da população. Naquela época, era conveniente ter vários filhos para que eles logo entrassem no mercado de trabalho. Os filhos eram, portanto, um investimento, já que a mão-de-obra era utilizada nas indústrias têxteis e minas de carvão.

- Houve um processo de desenvolvimento e modernização do trabalho no campo, o que aumentou a produtividade agrícola, como, atualmente, o desenvolvimento de sementes resistentes a pragas.

Durante o século XX, a temática do crescimento populacional foi discutida de várias formas. Ainda hoje, algumas teorias apontam o subdesenvolvimento como decorrência do excessivo número de habitantes, da agricultura manual e da baixa produtividade. Essas teorias foram denominadas neomalthusianas. Para os neomalthusianos, se houvesse controle de natalidade nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, o problema da fome acabaria. Além disso, como o aumento da população implica investimentos sociais – educação, saúde e habitação –, seriam destinados menos recursos para o setor produtivo. Com base nesse raciocínio, muitos governos incentivam o controle da natalidade, reafirmando a visão de Malthus.

Karl Marx e o contraposto a Malthus

Karl Marx foi um economista que, fundamentado no materialismo histórico, levantou diversos pontos contrários à teoria de Malthus. Ele afirmava que a fome, a carência social e o crescimento populacional são causados pela má distribuição de renda e pelas diferenças de classes sociais. Para Marx, as condições de vida do trabalhador estavam diretamente relacionadas aos meios de subsistência.

Segundo Marx, a superpopulação contribuiria para o fortalecimento do sistema capitalista, cuja principal fonte é o lucro daqueles que detêm os meios de produção, e não as necessidades da maioria da população. O aumento populacional favoreceria a disponibilidade de mão-de-obra, contribuindo para uma maior rotatividade de trabalhadores nas fábricas e levando ao rebaixamento salarial e conseqüente aumento dos lucros. O excedente populacional, portanto, resultava no aumento do nível de desemprego, em um grande número de jovens com poucas perspectivas de conseguir trabalho e no crescimento da miséria e da pobreza, enquanto uma minoria acumulava capital. Para os seguidores da teoria de Marx, o Estado é o responsável pela melhoria das condições de vida da população.

A partir do século XX, iniciou-se uma lenta diminuição das taxas de crescimento populacional nos países industrializados em conseqüência da queda das taxas de natalidade. A mudança do padrão de crescimento da população mundial é decorrente do aumento da renda média da população, do acesso a métodos contraceptivos e da mudança do papel da mulher na sociedade.

Apesar de ter havido mudanças na dinâmica populacional, principalmente nos países industrializados, o número de habitantes no século XX chegou a aproximadamente 6 bilhões, e a estimativa é de que chegue, em 2025, a mais de 8,5 bilhões de habitantes.

O consumo de alimentos

Independentemente do aumento da população mundial e da alimentação das áreas agrícolas destinadas ao cultivo de alimentos, um dos problemas mais graves do mundo contemporâneo é a má distribuição da comida – 80% de tudo o que é produzido no mundo é consumido por apenas 20% da população mundial.

Nos últimos 20 anos, a produção mundial de alimentos cresceu mais de 3%, enquanto o aumento demográfico situa-se próximo dos 2%. Portanto, é falsa a idéia que preconiza o controle do crescimento demográfico para vencer a fome.

A geografia da fome é um dos indicadores para separar os países ricos dos pobres. Parte da população dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento ainda passa fome, apesar do aumento da produção.

Se a população do chamado mundo subdesenvolvido consumisse os alimentos produzidos em seu território, não haveria desnutrição nem morte por fome nesses países. As organizações governamentais, para saldar dívidas contraídas junto aos bancos internacionais, atrelam o pagamento dos empréstimos aos produtos agrícolas que serão exportados. No momento de decidir sobre o que produzir, o quanto produzir e para quem vender, não são consideradas as necessidades alimentares da população local.

Muito se fala também sobre a falta de terras para se produzirem os alimentos necessários para toda a população do planeta. Analise os esquemas a seguir.

Calcula-se que existe menos de 1,5 bilhão de hectares de terras aptas para a agricultura no mundo. Apenas menos da metade dessa área, 700 milhões de hectares, é utilizada para a produção de alimentos. Mesmo assim, tudo o que é colhido no mundo seria suficiente para alimentar mais de 7 bilhões de pessoas.

Apesar de a tecnologia e a modernização da agricultura proporcionarem aumento na produção, as promessas de acabar com a fome estão longe de ser cumpridas. Isso porque, atualmente, regiões de terras férteis vêm sendo transformadas em áreas urbanas e também porque parte da produção agrícola de alimentos é usada como ração para animais.

A produção de cereais para exportação dos países do chamado mundo subdesenvolvido aumentou muito nos últimos anos. Já em 1976, a quantidade de grãos consumida pelos países considerados desenvolvidos para alimentar animais superava os 251 milhões de toneladas – mais de seis vezes a quantidade calculada pela ONU como necessária para eliminar a fome no mundo.
Nos últimos 30 anos, a combinação de mecanismos políticos e econômicos sustentados pelo modelo de desenvolvimento dos países ricos contribuiu para que a fome se tornasse mais aguda. A modernização da agricultura, em vez de pôr fim à fome, encareceu a produção de alimentos.

O número de habitantes não é o problema principal do planeta. Quando as sociedades alcançaram níveis de vida mais elevados, a opção pelo controle do número de filhos passa a ser uma decorrência natural, sem que haja necessidade de intervenções oficiais. A questão fundamental a ser resolvida é a manutenção da vida, porém vida com dignidade. Para que isso ocorra, é necessário que se adotem, em nível global, outras maneiras de pensar, produzir e consumir.

Brasil, suas contradições

Valther Maestro




O que é Violência ?

Violência – Qualidade de violento; ato violento; ato de violentar
Violentar – Exercer violência; forçar; coagir; violar; estrupar
Violento – Que se exerce com força; tumultuoso; em que há emprego de força bruta.
Coagir – Constranger, forçar, obrigar


O que é Desemprego ?

Desemprego – Desocupação; vadiação
Desempregado - sem serviço; desocupado


Projeto Axé, Lição de Cidadania

Na língua africana iorubá, axé significa força mágica. Em Salvador, Bahia, o Projeto Axé conseguiu fazer, em apenas três anos, o que sucessivos governos não foram capazes: a um custo dez vezes inferior ao de projetos governamentais, ajuda meninos e meninas de rua a construírem projetos de vida, transformando-os de pivetes em cidadãos.
A receita do Axé é simples: competência pedagógica, administrativa eficiente, respeito pelo menino, incentivo, formação e bons salários para os educadores. Criado em 1991 pelo advogado e pedagogo italiano Cesare de Florio La Rocca, o Axé atende hoje mais de duas mil crianças de adolescentes.
O processo pedagógico começa na rua, onde os meninos moram, tomam banho, ganham a vida, dormem e muitas vezes morrem, assassinados por grupos de extermínio, traficantes de drogas ou em brigas de gangues. Duplas de educadores de rua se aproximam dos garotos, ganham sua confiança e vão aos poucos conseguindo atraí-los para as atividades do projeto: alfabetização, oficina de serigrafia, fábrica e papel reciclado, escola de circo e diversas atividades culturais.
A cultura afro, forte presença na Bahia, dá o tom do Projeto Erê ( entidade criança do candomblé), a parte cultural do Axé. Os meninos participam da banda mirim do Olodum, do Ilê Ayê e de outros blocos, jogam capoeira e têm um grupo de teatro. Todas as atividades são remuneradas. Além da bolsa semanal, as crianças têm alimentação, uniforme e vale-transporte.
A reconstrução da auto estima, a valorização de suas raízes culturais africanas e a possibilidade de se desenvolverem como seres humanos já tirou muitos meninos da rua, que voltaram para casa ou passaram a morar em pensões.
A experiência do Axé prova que é possível educar os meninos de rua e transformá-los em cidadãos produtivos. Basta dar-lhes na prática o que a Constituição já lhes garante no papel: direito à educação, assistência médica, alimentação. Basta enfim, tratá-los com o respeito que merecem.

Gilberto Dimenstein – o Cidadão de Papel – pág.152

Constituição da República Federativa do Brasil
PREÂMBULO

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.
TÍTULO I DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I — a soberania;
II — a cidadania;
III — a dignidade da pessoa humana;
IV — os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V — o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.
Art. 2º São Poderes da União, indepen¬dentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
Art. 3º Constituem objetivos funda¬mentais da República Federativa do Brasil:
I — construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II — garantir o desenvolvimento nacional;
III — erradicar a pobreza e a margina¬lização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV — promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo.

Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:
I — independência nacional;
II — prevalência dos direitos humanos;
III — autodeterminação dos povos;
IV — não-intervenção;
V — igualdade entre os Estados;
VI — defesa da paz;
VII — solução pacífica dos conflitos;
VIII — repúdio ao terrorismo e ao racismo;
IX — cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;
X — concessão de asilo político.
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.

Que país é este

Nas favelas no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação

Que país é este

No Amazonas, no Araguaia, na Baixada fluminense
Mato Grosso, nas Geraes e no Nordeste tudo em paz
No morte eu descanso mas o sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis
Ao descanso do patrão

Que país é este

Terceiro mundo se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando venderemos todas as almas
Dos nossos índios em um leilão

Que país é este.

Renato Russo- Que País é Este (63. 792.613) 1978/1987 – Legião Urbana - Emi-Odion , 1994, Faixa 1.


Brasil: suas paisagens, suas contradições, suas geografias

As Contradições das Paisagens Brasileiras

Quando comparamos a área do território brasileiro com a de outros países do mundo conseguimos perceber como o nosso país é grande, mas será que tamanho é ou não documento?

Uma grande extensão territorial significa disponibilidade de grandes reservas de recursos naturais, a possibilidade de produção de alimentos, e a possibilidade de extração de materias primas para a adquirirmos as nossas roupas, nossos moveis, nossos eletrodomésticos, nossos brinquedos, nossas casas, tudo enfim que usamos no nosso dia-a-dia. Este fato significa que existem recursos naturais em abundância, que podem permitir a todos os brasileiros condições de vida dignas. Mas por que isso não acontece?

Devemos Ter claro que a extensão territorial é uma potencialidade que depende de outros fatores para se tornar uma realidade em termos de benefícios a serem usufruídos pela população.

Além disso, não podemos esquecer que apesar de termos uma grande população, um grande parque industrial, grandes universidades, hospitais extremamente modernos, uma grande extensão de fronteira com o Oceano Atlântico, bem como muitas fronteiras com outros países, não conseguimos garantir trabalho, escola, condições de saúde, alimentos bem como não conseguimos comercializar em grande escala com nossos vizinhos. Essas são algumas das contradições que podem ser observadas materializadas nas paisagens do Brasil e a possibilidade de solução vai depender do tipo de relação social que os brasileiros estabelecem com a forma de produzir e gerar riquezas, bem como a forma de dividi-las.

Essas paisagens contraditórias revelam as injustiças que estão presentes nas o paisagens do nosso país e, portanto, na forma de organização e produção dos espaços deste país. Entender como elas foram se resultando é um dos caminhos para que um dia elas possam deixar de existir.

Diante de tudo que foi estudado até aqui, você pôde observar, que fica difícil de rotular o Brasil como um país pobre ou rico, desenvolvido ou subdesenvolvido, de 1o ou de 3o mundo. Cabe, neste momento aprofundar nossos estudos e adquirir cada vez mais conhecimentos para que possamos realizar uma caraterização do nosso país da forma mais fiel possível.


Brasil, País de Contradições

O mundo deu muitas voltas. Caíram barreiras, referências, mitos e muros. A história não coube em teorias. As teorias negaram suas promessas. O capitalismo continuou produzindo miséria no mundo, mas o socialismo avançou sem conseguir eliminá-la. A modernidade produziu um mundo menor do que a humanidade. Sobram bilhões de pessoas. Não se previu espaço para elas nos vários projetos internacionais e nacionais. No Brasil essa exclusão tem raízes seculares. De um lado, senhores, proprietários, doutores. Do outro, índios, escravos, trabalhadores, pobres.
Isso significa produzir riqueza pela pobreza. Sendo um modelo econômico sustentado em vícios sociais, o padrão rural da colônia transferiu-se praticamente intato ao país urbano, com pretensões a ser moderno. O Brasil tem um indústria com duas caras – e a mesma moeda. Moderna tecnologia, atrasada nas relações de trabalho. Sua classe média espreme-se entre a ideologia do senhor e as agruras dos pobres. Teme o destino de um respeita o poder do outro.
A industrialização brasileira não encurtou o abismo entre pobres e ricos. Os senhores viraram empresários, mas continuaram a viver em novas versões da casa-grande. Os escravos viraram trabalhadores, mas continuaram morando na senzala, em dormitórios feitos para isolar o pobre depois do serviço.
Nos anos 90, aprendemos que, e, sessenta anos de industrialização. O Brasil havia gerado três categorias sociais – ricos, pobres e indigentes. É como se elas habitassem países diferentes. Existe a minoria rica, branca sofisticada, formando uma sociedade mais ou menos comparável à do Canadá. Tem a maioria pobre, negra, silenciosa e resignada, do tamanho do México. E Há 32 milhões de indigentes, uma Argentina dentro do Brasil. Esses 32 milhões são brasileiros que o Brasil trata como estrangeiros, uma população indesejada, descurada quase inimiga. Com a produção agrícola atual, poderia alimentar 300 milhões de pessoas. Nada, em sua economia, impede que sejam gerados agora 9 milhões de empregos de emergência. Se a posse da terra fosse democratizada de maneira rápida e decidida, abriria lugar para 12 milhões de famílias. Se coisas assim acontecessem, 32 milhões de pessoas que estão passando fome teriam comida, pelo menos comida.
Herbert de Souza - Ética


O Brasil não tem 510 anos !

Valther Maestro

Você que está lendo este texto não teria dúvida de que o mapa acima se trata de uma forma de representação do território brasileiro. E que para estar no Brasil, basta encontrar-se em qualquer ponto do território definido por essas fronteiras. No entanto o Brasil não foi sempre assim e dizer que o Brasil tem 500 anos não é uma verdade absoluta.

É importante ressaltar que se comemora no dia 22 de abril é a data da chegada oficial dos portugueses nessas terras que posteriormente seriam chamadas de Brasil. Existem historiadores que tentam provar que os portugueses já haviam chegado a essas terras antes da data oficial (22/04/1500), justamente para poder ter certeza da sua existência e verificar as partes que lhe caberiam diante do tratado de Tordesilhas (tratado realizado com a Espanha em 1494).

Após Portugal e Espanha ocuparem esse “canto” do mundo, a parte que coube a Portugal foi batizada de Brasil e o território que pertencia a Portugal não correspondia, inicialmente, nem à metade do território do Brasil de hoje. Ao longo do período em que essas terras foram colônia de Portugal (1500-1822), o domínio colonial expandiu-se em direção às terras a oeste, que pertenciam à Espanha.
O Brasil, como qualquer país, tem uma história, mas que não está restrita somente aos últimos 510 anos. Este país não “nasceu” com o formato e as dimensões com que o conhecemos hoje. E, a rigor, durante o período colonial, estar no que se chamava Brasil era, na verdade, estar num território português.

Acreditar que estas terras só têm 510 anos, é considerar que neste lugar não existia nada, é, portanto, desconsiderar que as dinâmicas da natureza durante milhões e milhões de anos formaram as características físicas dessas terras . É acreditar que não existia ninguém vivendo aqui ou que esses seres vivos não interferiram nos aspectos físicos construindo e reconstruindo os lugares. Achar que o território que forma o Brasil hoje só tem 510 anos é não dar importância alguma a todas essas coisas, e isso não deve ocorrer.

As comunidades indígenas que aqui viviam, apesar de terem sido exterminadas ao longo da história de ocupação dessas terras, contribuíram muito para formar os costumes do povo brasileiro, ou seja, essas pessoas contribuíram na formação da cultura deste país.

Também acreditar que o Brasil tem 510 anos é desconsiderar a importância e as interferências dos povos africanos. As pessoas que foram trazidas para trabalharem nestas terras de forma desumana, trouxeram consigo inúmeros costumes milenares da sua região e, apesar de terem sido escravizados, contribuíram também, de forma bastante importante, para a formação cultural deste país.

É importante notar que só após tornar-se independente em 1822, o Brasil assumiu sua identidade como país. Até esse momento, a geografia do Brasil não passava da geografia de uma parte de Portugal.

De lá para cá, passaram-se quase dois séculos de história de um Brasil independente. Foi nesses quase duzentos anos que o Brasil se formou como país e adquiriu a identidade territorial que suas atuais fronteiras nos revelam.

Portanto, o que menos importa é saber se o Brasil tem 2.000, 1.000, 500 ou 188 anos, mesmo porque, afirmar que qualquer uma das datas é a verdadeira seria desconsiderar as todas contribuições, físicas ou sociais, que interferiam e interferem até hoje na formação deste país.

Então, o que importa ?
O que importa é considerar a forma de ocupação deste território para podermos ir mais além nas nossas conclusões e para poder entender as contradições que hoje estão materializadas em cada canto deste país.

Por exemplo, antes da chegada oficial dos portugueses, existiam entorno de 5 milhões de pessoas nessas terras, divididas em várias comunidades e que ocupavam as terras e definiam seus territórios segundo a sua nacionalidade. Atualmente esta população esta confinada em reservas (quando elas existem) e não ultrapassam 250 mil pessoas.

Também nos últimos 510 anos podemos observar que inúmeras cidades foram construídas e que as outras formas de vida que aqui estavam foram sendo aniquiladas gradualmente e substituídas por uma agricultura que atendia a certos interesses e por uma pecuária que atendia a certos hábitos alimentares, isso lógico, em nome do progresso e da civilização.

Não adianta agora chorar pelos 92% de Mata-Atlântica que foram retirados, ou pela morte de animais que nem foram catalogados e estudados pelo homem e que poderiam de certa forma ajudar na construção de uma forma mais digna para a vida dos seres humanos de todo o planeta na atualidade (não podemos nós esquecer que a biotecnologia e o estudo do DNA hoje são responsáveis pela descoberta da cura de inúmeras doenças).

De floresta para campo e de campo para cidade, estas são as principais características na forma de ocupação e construção dos espaços do país Brasil, relacioná-las e compreender essas mudanças é um fator determinante para chegar a inúmeras conclusões sobre o que somos e como vivemos. Posterior a esse processo, o da compreensão, a realização de ações que possibilitem a mudança é uma decorrência natural e assim não ficaremos só “chorando pelo leite derramado”.

As crianças e adolescentes conseguem visualizar “alternativas” para o nosso país e isso é extremamente positivo. Gerar essas possibilidades é entre muitos, um dos papéis da escola. Possibilitar a mudança, sistematizando os elementos para que os estudantes consigam traçar os rumos para sua vida e para a sociedade a qual estão inseridos, é extremamente gratificante. Por isso vamos a um exemplo.
“Era uma vez, uma cidade chamada Richola. Nela morava uma menina chamada Rixa. Aos 12 anos ela fugiu de casa e foi viajar. Comprou sua passagem e foi para outra cidade chamada Françolândia. Lá ela descobriu que a cultura era diferente da que estava acostumada.
Um dia ela estava muito feliz e alugou um navio. Ela estava passeando quando derepente, veio uma correnteza e a levou. Rixa bateu com a cabeça em uma pedra, quando acordou não estava mais em Françolândia, e sim em São Ruínas.
Rixa já estava com 14 anos, e era bem grande para se cuidar, e tinha muito dinheiro para gastar. Então comprou um carro e foi passear, mas como não sabia onde estava se perdeu.
Passa que passa noites, e Rixa estava dirigindo, até que acha uma pessoa. Ela pergunta onde está e o velhinho responde que ali era ChuaFurby.
Rixa se diverte muito lá. Porque lá tem muitos parques aquáticos e as pessoas respeitam as outras. Surge muitos passeios de trem, como ela não fica fora de nada ela vai.
Rixa chegou em Framatal das Moitas. Ela adorou essa cidade, em cultura, respeito, solidariedade, etc. Rixa começou a perceber que o dinheiro não é tudo na vida. E viveu em Framatal das Moitas, o resto de sua vida.
Jefferson , 5ºB
Os estudantes da 5º série tinham que construir um país imaginário, um mapa, um personagem e uma história para esse personagem. Nesta atividade os alunos conseguem desenvolver inúmeras habilidades, entre elas a construção do conceito de fronteira.

É justamente por não ter o conceito de fronteira bem definido que muitas pessoas acreditam que o Brasil foi sempre assim, que sempre teve as mesmas dimensões e o mesmo formato. Por nunca ter criado sua própria história e se fazer integrante desse processo é que muitos brasileiros acreditam que somos “um país menino, diante das nações que tem milênios”.

Acreditamos que quando este processo se desenvolve na escola, na casa, nas comunidades e passa a fazer parte do cotidiano das pessoas, consegue-se chegar a autonomia. Autonomia e Liberdade “coisas” básicas que estão faltando em nossas ações para que possamos acreditar e concretizar as mudanças tão necessárias para esse país. E quando nossos jovens realizam isso de maneira natural conseguimos enxergar a esperança, sentimento que para muitos já se acabou, mas que na verdade pulsa em todas as cabeças desse povo.

Isso é o que importa, a compreensão dos fenômenos espaciais que estão materializados neste país e a manutenção dos sonhos para a conquista da cidadania.


Reflexões Sobre a Modernização

O uso da categoria “Modernização” esta normalmente relacionada a tudo aquilo que consideramos como Moderno. Comumente dizemos, modernizar é chegar a um conjunto de medidas que, de certa forma, transformam a dinâmica de uma área. Provocar deliberadamente a mudança, a ruptura com o antigo é, de alguma forma, transformar as antigas paisagens em novas, isso se dá, a partir de processos que criem novas dinâmicas, novas ordenações, que se materializarão no espaço.

A dinâmica a que estamos nos referindo, tanto pode estar relacionada aos fenômenos da natureza, quanto às maneiras de viver das sociedades humanas.

A natureza sempre foi e será a responsável por um grande número de transformações espaciais, que podem ser observadas ao longo da formação do Universo, do Planeta, das formas de relevo etc.; sempre criando novas paisagens, estas mais modernas que as anteriores, sepultadas pela própria dinâmica da natureza.

Entretanto, as sociedades humanas também foram e são responsáveis por um grande número de mudanças nas paisagens do planeta. Estas transformações, na nossa concepção, estão diretamente vinculadas com a maneira de viver, produzir e ordenar seus espaços, que cada uma delas desenvolveu no decorrer de sua história, portanto, na medida que, novas relações sociais de produção tomavam o lugar de uma anterior, estas se tornavam mais modernas.

O feudalismo, suas formas de ordenações espacial e social eram mais modernas que o imperialismo romano. Entretanto, o feudalismo deixou de ser moderno após a formação dos Estados Nacionais, do Capitalismo Comercial, do Absolutismo e do Renascimento; a ruptura dessa modernidade ocorre com o surgimento dos ideais do Iluminismo e com o advento do Capitalismo Industrial.

Com a perspectiva de sustentar a idéia desse mundo moderno a partir do capitalismo industrial, utilizaremos as seguintes reflexões:
“ O que é moderno ? ...Moderno refere-se a estilo, costume de vida ou organização social que emergiram na Europa a partir do século XVII e que ulteriormente se tornaram mais ou menos mundiais em sua influência” ( Giddens, 1991)
Acompanhando o frenético ritmo de “desenvolvimento as forças produtivas”, o tempo social distanciou-se das interferências provenientes da Natureza, sobrepondo-se a elas. Ele encontra seu símbolo quase paradigmático no relógio atômico do século XX, que assinala a passagem dos segundos, minutos, horas, dias, meses e anos, ativado por uma central própria de energia, sinal que o tempo da Natureza foi banido do tempo social...
O passado perdeu seus sentidos significativos em um mundo no qual o próprio presente tornou-se “um instante fugidio”, um lapso “que vai do passado para o futuro e transforma o futuro em passado”. O antes e o depois, tornam-se marcos de uma marcha processual na qual o futuro, assim que é capturado pelo presente, é rapidamente erodido e transformado em um aluvião composto de partículas cuja inteligibilidade, uma vez desfeito o sentido organizador do presente, desaparece. Os eventos, sucedendo-se rapidamente, são metamorfoseados em simulacros, encarcerados em um caleidoscópio que virtualiza seu sentido, fluindo por breves momentos perdidos na voragem de um tempo dominador e inflexível. Sinteticamente, a modernidade é um modo de vida em que tudo, um dia, será passado” (Waldman,1994)

As reflexões mencionadas anteriormente, garante-nos sustentar a análise sobre a modernização, utilizando-se da maneira de viver sustentada nas relações sociais de produção capitalista. Esse é o fator determinante da ruptura com o antigo modo de produção e ordenação espacial, e portanto, como elemento de formação do Mundo Moderno.

Esse processo que não é linear e muito menos homogêneo, na sua expansão espaço-temporal, não ocorreu de um momento para o outro, em escala mundial e nem mesmo em escala local. Mas, na medida que, avança o seu ritmo, ele se expande para todos os lugares do planeta, permitindo-nos concluir que atualmente o Mundo é Moderno.
“Rompeu-se com a concepção medieval de natureza, mas não todavia com a concepção divina de homem. Mesmo na nova natureza Deus permanece como essência do mundo, sendo ele que nele aparece agora na forma da razão geométrica. Nesse novo conceito a natureza tem leis de movimento intrínsecas, suas próprias leis de movimento, mas no seu conjunto é um grande relógio (metáfora que se empresta generalizadamente para o todo da natureza a partir dos movimentos da Terra) e Deus o grande relojoeiro.
Até o Renascimento o mundo se distingue entre o sub e o supralunar... Com a revolução da Física a natureza passa a ser um conjunto de corpos de extensão definida (o espaço cartesiano), animados pelo movimento mecânico, esse movimento é uniformemente governado do nível macro (corpos celestes) ao nível micro (corpos da superfície terrestre) pela Lei da Gravidade, uma lei universal...
Estamos na modernidade, longe então da relação natural-sobrenatural medieval, de fronteiras fluidas, e vivendo no interior de uma relação natureza-espírito de fronteiras demarcadas. De uma natureza confusamente indivisa, passamos para uma natureza separada do espírito. E para um homem inteiramente defrontado com um mundo de estranhamento” ( Moreira, 1993).

As leis são universais, o tempo é universal, a natureza perde sua especificidade e ganha na sua aparência uma nova essência, transforma-se em elemento de manutenção do sistema - a matéria-prima.

Esse processo, que inseriu todos os lugares do planeta no mesmo sistema produtivo, e que nos dá suporte para dizer que o mundo é moderno, tem como base para a sua existência a formação de espaços desigualmente desenvolvidos. Este processo provoca a formação de espaços diferentes inseridos dentro da mesma lógica produtiva, dentro de um mesmo ritmo e fluxo de produção.

Esta última afirmação, ajusta-se de modo adequado as citações de Neil Smith, às quais demonstram mais um elemento de formação do mundo moderno.
“Debaixo da ordenação do processo de acumulação o capitalismo como um modelo de produção deve-se expandir continuamente para poder sobreviver. A reprodução da vida material fica continuamente dependente da produção do valor excedente. Para este fim, o capital se volta para a superfície do solo em busca dos recursos materiais; a natureza torna-se um meio universal de produção, de modo que ela não somente prove o sujeito, o objeto e os instrumentos de produção, mas ela é em sua totalidade um acessório para o processo de produção.
Ao expandir sua busca de mais-valia relativa, o capital é levado a transformar os espaços exteriores, relativamente subdesenvolvidos, em espaços de produção e acumulação. Por outro lado, pressionado pela constante ameaça de super acumulação, o capital tenta transformar os lugares sem mercados para suas mercadorias, em locais de consumo. Mas não pode fazer as duas coisas, porque pode transformar as sociedades subdesenvolvidas em locais de consumo, somente desenvolvendo-os e elevando os salários para facilitar o consumo. Há uma contradição entre os meios de acumulação e as condições necessárias para a acumulação ocorrer, apresentando nítidos contornos geográficos” (Smith, 1988)
O modo de viver sob a égide do capitalismo sustenta-se em uma dicotomia, pois a mundialização dessa ordenação territorial e social insere os diferentes lugares num mesmo ritmo, nas mesmas leis universais, em uma mesma relação com a natureza, materializando-se de forma desigual pelos espaços mundiais.

Esse modo de produção, onde uma de suas características é a relação de dominação e o jogo de forças entre o homem e a natureza, cria espaços desigualmente desenvolvidos, mas combinados entre si, justamente para sustentar todo o processo produtivo e sua respectiva ordenação territorial. Nossa análise ganha base de sustentação nas reflexões de Maurício Waldman:

“A expansão do padrão civilizatório ocidental por todos os quadrantes da Terra, implantou um ritmo temporal que foi transformado no primeiro tempo mundializado da história. Este ritmo, que é a base do “MC Mundo”, da “Aldeia Global” da “Economia Mundo” e de uma miríade de outras expressões esculpidas para denotar sua aversão à autarquia e ao isolamento, ao derrubar as “Muralhas da China”(Marx/Engels) e desenvolver todas as formações sociais regradas por injunções de tempos não-lineares, não-progressivos e não-quantitativos, transformou todos os homens, dos que habitam as ruidosas e cintilantes metrópoles da modernidade, ao mais longínquo sítio do Deserto Australiano e dos Mares dos Borcais, em peças integrantes de um gigantesco maquinismo, cujas engrenagens já não buscam, como as “máquinas celestiais” de outrora a perseguição do eterno movimento do Sol, da Lua e das estrelas, mas sim, de um tempo artificial cuja única referência é si mesmo” (Waldman, 1994).

Não são todas as reflexões feitas sobre o desenvolvimento das sociedades que atuam neste campo de análise conceitual. Estas diferenças de reflexões na geografia se tornam mais explícitas devido a própria história do desenvolvimento desta ciência, a qual se observa muito bem, por exemplo, nas reflexões de Massimo Quaini*.

O determinismo é uma das correntes de pensamento que não trabalham com este campo de análise. A geografia brasileira sofreu uma grande influência destas idéias que foram transmitidas pelos pensadores brasileiros para toda a sociedade, principalmente, nos livros didáticos e nos meios de comunicação, veículos de propaganda da ideologia hegemônica, sustentada no “jargão” da segurança e do desenvolvimento, possuindo como matriz a ideologia positivista da Ordem e Progresso, presente em nossa “Bandeira de Luta”. Desse modo, não é difícil encontrar materializado no senso comum de um grande número de pessoas a idéia de que o Brasil não é um país Moderno e, portanto, as cidades também não seriam representantes dessa modernidade.
“Desta forma, a cidade moderna, bastião do tempo, prótese dos fluxos, concreção da exclusão, ganha contornos e atributos não previstos por um imaginário preocupado com a justificação ideológica da modernidade enquanto uma contraposição “ao atraso”, “à barbárie”, “à imutabilidade” e “à estagnação”. Não sem motivo, os administradores e planejadores urbanos referem-se corriqueiramente a estes espaços, em nível de seu universo vocabular e conceitual, como áreas de crescimento dito “desordenado”, aparentemente alheios ao fato de que o que se chama desordem, é apenas a ordem do possível, já que nada é desordenado” (Waldman, 1994).
Admite-se que: uma parcela da sociedade brasileira, o espaço constituído nas grandes metrópoles, algumas áreas de produção agrícola mecanizadas, algumas relações de consumo, fluxo etc., são modernas. A contraposição a modernização, e a existência no território brasileiro de vários lugares tidos como atrasados, e facilmente descritos pelo grande número de favelas, pelos menores de rua, pelos vendedores ambulantes, a prostituição, os cortiços etc.

A criação de uma concepção que trabalha com o espaço dual, ou a dualidade do desenvolvimento econômico, entra em choque com a nossa concepção, pois rompe com a totalidade da modernidade e passa a colocar esta modernidade a partir dos espaços desigualmente desenvolvidos.

Além de colocar em choque a modernidade, esta análise dos espaços, a partir da qualificação, enquanto modernos ou atrasados, novos ou tradicionais, serviu para desenvolver o conceito de desenvolvimento e subdesenvolvimento, ou ainda, a criação do chamado “1º Mundo” em contraposição ao “3º Mundo”.

Para nós, esta qualificação é tão errada quanto considerar que algumas áreas do mundo são modernas, pois qualificam os países somente por um ponto de vista, ou seja, só analisa e compara os países pelo ângulo do desenvolvimento industrial, não utiliza a totalidade para desenvolver o conceito. Essas concepções de geografia de vários cientistas, são questionadas por Yves Lacost:
“Os qualificativos de atrasado, arcaico ou tradicional servem a certos autores para caracterizar a situação econômica e social dos países subdesenvolvidos; comparam-na àquela Europa pré-industrial. No entanto, em nossos dias, esses países se distinguem da Europa pré-industrial por dois fenômenos muito modernos: seu enorme crescimento demográfico e o papel econômico considerável que neles desempenham as grandes firmas mundiais... Os autores que somente querem ver nos países subdesenvolvidos formas de sociedades ditas “tradicionais” e aqueles para os quais o colonialismo é o culpado da presente situação, são unânimes em fazer da fraqueza da industrialização a causa e a maior característica do subdesenvolvimento. Assim, podemos acreditar que a industrialização e o crescimento econômico constituem os remédios necessários e suficientes. entretanto, a indústria é forte na África do Sul e está em plena expansão em grande número de países do Terceiro Mundo; todavia, para a massa das suas populações as dificuldades não foram atenuadas, muito pelo contrário... Foi essa industrialização recente e moderna que conduziu alguns autores a determinar o subdesenvolvimento com um ‘dualismo” econômico e social, resultante da inarticulação entre o setor moderno e um setor tradicional da economia; portanto este último não poderia se beneficiar dos progressos do outro” (Lacoste,1987).
Essas reflexões que, sem dúvida reconhecem a existência de espaços com níveis de desenvolvimento diferentes, resultantes de um atraso na evolução do seu sistema produtivo, com certeza sustentam os conceitos nas teorias do espaço dual, que no Brasil ou em São Paulo, mais precisamente, são facilmente descritas pelas diferenças gritantes entre as regiões Sul-Sudeste em contraposição as Norte-Nordeste, ou ao Jardins (Zona Sul) em contraposição a Guaianazes (Zona Leste).

Essas concepções, que poderiam levar-nos a algumas conclusões, como por exemplo, de que a Modernização da sociedade brasileira ocorreu de forma parcial, serão abandonadas por nós. Na nossa concepção, as desigualdades espaciais são frutos de um mesmo processo que desenvolve uma área em cima do subdesenvolvimento de outras, por não existir riqueza sem pobreza. Estas problemáticas surgem após a expansão do modo de produção capitalista e com a modernização do mundo, como já foi visto.

Ao concluir esta abordagem sobre a modernização, podemos dizer que não existem espaços mais ou menos modernos, o que existem são espaços desigualmente desenvolvidos e combinados entre si, pois esta ordenação garante a manutenção do sistema produtivo. Assim como em Krakatoa, onde a erupção do vulcão provocou mudanças extraordinárias que foram notadas em todo o mundo, a expansão do modo de produção capitalista, seus ritmos, suas relações sociais e seus fluxo, a Modernização, se dá em todas as áreas, pois notamos transformações em todos os cantos do planeta.

Brasil: Um País Moderno

Os primeiros caminhos que levaram à construção do chamado mundo moderno estruturam-se na conquista dos territórios indígenas e posteriormente na formação do Brasil. Podemos afirmar que o Brasil, como todos os demais países hoje conhecidos, formaram-se a partir do processo relacionado basicamente com a decadência do feudalismo e a expansão européia.

As novas formas de produzir, não mais baseadas nas relações servis e na cultura de subsistência, implicaram buscar novas fontes de mercadorias, novos territórios que suprissem o iniciante mercado europeu.

Ao exercer seu poder político sobre as novas terras, descobertas após a expansão marítima e comercial, os europeus produziram transformações profundas nas relações sociais dos povos conquistados. A expansão européia que se iniciou na século XV, não gerou apenas uma política de ocupação, mas várias.

Esse processo de expansão foi, por outro lado, a condição necessária para que se acumulassem riquezas na Europa suficientes para a efetivação da Revolução Industrial.

Essa maneira de viver, produzindo e ordenando os espaços sob a óptica da industrialização, gerada na Europa, alcançou tal grau de avanço, que domina atualmente, direta ou indiretamente, o mundo todo, não restando mais territórios a conquistar. Cada país, cada porção do planeta desempenha hoje um papel determinado no contexto do modo de produção capitalista. Alguns produzem matérias-primas, outros manufaturas; alguns fornecem mão-de-obra barata, outros não de obra altamente qualificada; certos territórios concentram indústrias, outros grandes campos agrícolas. Essa característica assegura-se na reflexão abaixo:
“O mundo moderno apresenta-se, dessa maneira, ao mesmo tempo uno e dividido. Uno porque todos os povos, em todos os cantos, estão de uma forma ou de outra respondendo às necessidades da produção industrial - pela concentração de fábricas, pela produção agrícola ou como consumidores. E dividido porque os tipos de fábricas instaladas em uma região são diferentes das que se encontram em outras; os tipos de minérios ou de produtos agrícolas variam de lugar para lugar; principalmente, não é igual a história de todos os povos” (Pereira, 1994).
O Brasil situa-se no contexto capitalista, é um entre vários Estados-países, nos quais essa maneira de viver, de ordenação territorial, materializa-se de forma direta. Realizaremos, então, uma reflexão que objetiva provar esta hipótese a partir das últimas décadas desse processo histórico, especificamente no período pós-64.

O processo de industrialização, que se iniciou no começo deste século, tornou-se mais intenso, na medida em que, era necessário aos centros da modernização, garantir a sua dominação nos chamados países de economia periférica. O desenvolvimento das infra-estruturas básicas (estradas, portos, sistema ferroviário, usinas hidrelétricas etc.) e o desenvolvimento das indústrias de bens-de-capital e de bens de produção possibilitaram mais tarde, a entrada das multinacionais.

Na década de 30 iniciou-se a intensificação da industrialização brasileira. O Brasil até então era um país tipicamente agrário. Nota-se, então um processo acelerado de transformações, uma nova ordenação territorial começa a se materializar, a caminho do desenvolvimento industrial, depois de muitos anos com a produção centrada na mesma dinâmica, a produção cafeeira.

As mudanças no modelo de produção sustentadas, a princípio, pela crise do café, faz ruir velhas estruturas, velhas ordenações. Após 1930, duas classes sociais começam a se delinear com mais força no processo produtivo: a burguesia e o proletariado.

Essas medidas que inseriram o Brasil de forma menos periférica no processo de globalização da maneira de viver da sociedade moderna, devido ao ritmo imposto pelas fábricas, proporcionaram também uma transformação nas paisagens.

Essas profundas mudanças em sua estrutura produtiva transformaram, o Brasil, de um típico produtor de produtos primários e com uma população majoritariamente concentrada na área rural, em um país produtor de produtos industrializados, com um setor de serviços que apresenta em extraordinário ritmo de crescimento, e com uma população em processo acelerado de deslocamento para os grandes centros urbanos.

Estas transformações refletidas nas paisagens provocaram mudanças na ordenação territorial e no comportamento das pessoas, ou seja, seu cotidiano altera-se consideravelmente. As paisagens revelam que essa modernização aumenta a diferença das áreas desigualmente desenvolvidas, isto é, áreas que revelam um conflito aparente, uma contradição entre o moderno e o tradicional, entre o novo e o velho, entre o campo e a cidade, entre o patrão e o operário, entre o empregado e o desempregado, entre a moradia e a submoradia etc.

No início da década de 60, pouca gente pensaria em uma crise econômica e política no Brasil. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial o país era dominado por um estado de otimismo, que nos últimos anos da década de 50 se transformou em euforia.

Após 1961, o quadro foi sofrendo alterações, e o otimismo cedeu lugar as dúvidas em relação ao processo e ao modelo de desenvolvimento adotado. O país foi paulatinamente entrando em uma conjuntura de crise, na qual as dificuldades superavam as soluções.

Esta crise assumiu fundamentalmente um caráter econômico e político, apesar de seus reflexos desencadearem uma crise cultural e social.

Para superar a crise no setor industrial e garantir o crescimento econômico, o Estado criou incentivos para atrair investimentos estrangeiros diretos a curto prazo e ao mesmo tempo investiu pesadamente em infra-estrutura, promovendo a ampliação da CSN, da Petrobrás e do setor estatal de produção de energia elétrica.

Até o final dos anos 60, a produção de bens de capital cresceu de modo significativo, principalmente nos ramos de máquinas - ferramentas e equipamentos.

As condições geradoras desse processo de crescimento da economia estão ligadas a medidas de políticas implementadas pelos governos militares pós-64, que tinham como objetivo principal, afastar o enigma da crise, substituir as importações e transformar o Brasil em um país exportador de bens de consumo.

Essas medidas incluíram explicitamente o arrocho salarial como base de sustentação para tal modelo de desenvolvimento. Os salários foram violentamente comprimidos, sobretudo dos trabalhadores menos qualificados. Gerou-se assim uma concentração de renda muito intensa, responsável pela formação de uma camada da população que, não afetada pelo arrocho, desfrutou de alto poder aquisitivo.

Uma outra medida também tomada pelo governo militar foi afrouxar a legislação sobre o capital estrangeiro e a implementação de medidas de incentivo à exportação. Houve assim um grande interesse por parte de empresas estrangeiras em investir no Brasil, provocando maior entrada de divisas e, ao mesmo tempo, um constante endividamento externo.

Esse conjunto de medidas proporcionaram , enfim, a implantação de uma política econômica intimamente ligada à economia capitalista internacional. A produção de bens de equipamentos e de bens intermediários ficou em plano secundário, enquanto deu-se prioridade aos setores de bens de consumo e para a construção civil, que apresentaram um extraordinário crescimento.

O período que compreende os anos de 1969 e 1973, caracteriza-se pelo crescimento acelerado da economia, as taxas superiores a 10% ao ano, e nele ocorreu o que se denominou “milagre brasileiro”. Na verdade, o verdadeiro milagre era que a maior parte da população conseguia sobreviver com salários inferiores a 70 dólares por mês.

Em 1973, o governo federal, preocupado com o “estrago” que o desequilíbrio no abastecimento interno de bens de equipamentos e intermediários poderia provocar no modelo de abastecimento adotado, formulou o II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND). Esse plano propunha-se a corrigir os desequilíbrios setoriais existentes e elegia como prioritários os setores de bens intermediários, energéticos e de equipamentos, visando tanto o abastecimento do mercado interno quanto as exportações.

Assim, grande parte das empresas nacionais inicia a produção de bens sem desenvolver a tecnologia dos produtos e seus processos, que são comprados no exterior. O desenvolvimento industrial experimentou assim ganhos imensos em termos de produtos, às custas, porém, do aumento da dependência econômica e tecnológica.

As multinacionais instaladas no País não apresentavam um grande interesse em desenvolver suas pesquisas internamente, nem mesmo o governo brasileiro as induzia a isso. Para elas era preferível fazer isso onde se localizam suas matrizes e depois enviar a tecnologia para as subsidiárias, que terão apenas o trabalho de adaptá-las às condições de uso locais.

Estas diretrizes, em relação ao modelo de desenvolvimento colocado em prática no Brasil era extremamente definido por seus idealizadores, no entanto, eles já apontavam a crise que assola atualmente a sociedade brasileira, e já mostravam um caminho a ser seguido, o neo-liberalismo. Tais diretrizes se sustentam nas reflexões de Golbery do Couto e Silva.
“A respeito desse problema de empresas transnacionais, como está-se dizendo agora, devemos ter presente que o Brasil é um país de poupança bastante baixa e estamos, portanto, defronte a um certo dilema quanto aos recursos para o desenvolvimento. Poderemos nós com recursos próprios desenvolver o país? Sim. Mas vamos levar demasiado tempo! e passar por sacrifícios muito grandes! A poupança estrangeira, em certa medida, é indispensável para que asseguremos o próprio processo do desenvolvimento , a fim de atender àquela preocupação mencionada em anotação anterior, do atendimento necessário aos novos contingentes de jovens que vêm ao mercado de trabalho. Então, sem auxílio da poupança externa, o país poderá se desenvolver: outros têm tentado isso e conseguido, mas com sacrifícios muito grandes e num prazo excessivamente largo para a premência de nosso caso.
A poupança externa que nos venha de outras companhias -transnacionais ou não - estrangeiras talvez represente o acréscimo crítico ao crescimento do PNB.
Quando ao problema de soberania, o que me parece é que há setores em que, de forma alguma - segundo um princípio que está na Constituição e que todos obedecemos - há setores em que, absolutamente, não se deve permitir ingerência estrangeira e há outros que se poderão liberalizar mais ou menos. Aliás, entendo que isso é variável com o tempo. Algum setor hoje com tal características, poderá, amanhã, deixar de ser altamente nacionalizado; poderá admitir a presença estrangeira. E vice-versa.
Outro aspecto a levar em conta neste assunto é a transferência de tecnologia, porque, a engenhosidade brasileira será capaz de inventar muitas coisas, mas certamente vai ter uma dificuldade desnecessária para inventar coisas que já estão inventadas. Se for possível adquiri-las a preços mais baratos do que o de um esforço longo e penoso, será sempre melhor. Cuidemos daquilo que é específico da nossa economia autóctone - tecnologia do sisal, etc.”
(Silva, 1981).
A crise eminente que se materializava no país principalmente no campo social, onde o número de favelados e encortiçados aumentou consideravelmente nesses anos, os conflitos nos centros urbanos materializam-se de forma mais presente, a mortalidade não diminuiu e nem mesmo o analfabetismo conheceu seu fim, entra em choque com o desenvolvimento de alguns setores.

Nota-se, por exemplo, que alguns bilhões de dólares foram investidos na ampliação do parque siderúrgico, na construção de várias hidrelétricas, na ampliação do sistema rodoviário, em um ambicioso projeto e geração através de usinas nucleares, entre outras obras.

Essa divergência aparente no desenvolvimento da modernização, pode ser questionada por alguns como uma não modernização ou ainda como uma modernização parcial. No entanto, como já vimos, o desenvolvimento brasileiro ocorre justamente com essa diretriz, ou seja, a partir do desenvolvimento desigual e combinado.

Podemos tornar como exemplo os cortiços e as favelas, formas de habitação tipicamente modernas, que começam a delinear sua ordenação concomitantemente a concentração industrial nos centros urbanos em função do desenvolvimento industrial. Essa concentração populacional assegura a formação de um exército de reserva, com o objetivo principal de manter os salários baixos. Não podemos esquecer que os excluídos são a base de sustentação do modo de produção capitalista.

Essa dicotomia é facilmente percebida nos grandes centros urbanos brasileiros, onde a pobreza convive lado a lado com a ostentação. Esse conflito é resultado do modelo de modernização colocado para a sociedade brasileira, e intensificado , pós-64.

Poderíamos aqui destacar um número muito grande de reflexões que asseguram nossas afirmações, mas destacaremos a seguir trechos de uma obra fundamental sobre esta problemática.
“O intenso crescimento econômico da cidade de São Paulo tem sido acompanhado da deterioração das condições de vida de amplas parcelas de sua população. A interligação entre o processo de crescimento urbano e o aumento dos “problemas urbanos” tornou-se tão visível que há alguns anos, um prefeito chegou a inverter o célebre slogan ufanista da cidade, propondo : São Paulo deve parar! Referia-se principalmente S.Ex.a. ao déficit de serviços e obras públicas, cujo crescimento era o mais rápido do que o das medidas possíveis para solucioná-lo e até mesmo do que o das previsões do planejamento...A noção de que o progresso da cidade tem um preço, que deve ser pago por seus habitantes, vem sendo insistentemente repetida a propósito dos mais variados problemas: da poluição ambiental às carências do abastecimento, das dificuldades de transporte às más condições de habitação, da insuficiência do lazer ao aumento da criminalidade...Com a intensificação do crescimento industrial o número de trabalhadores aumentou rapidamente. Do ponto de vista das empresas, o importante era contar com uma força de trabalho abundante e barata, que permitisse produção de um excedente elevado. A aceleração do fluxo migratório iria permitir a formação de um excedente de força de trabalho na cidade, tornando desnecessária a fixação do trabalhador na empresa. Por outro lado, o crescimento da população trabalhadora intensificou a pressão a oferta de habitações populares. Ao mesmo tempo, valorizaram-se os terrenos, tanto fabris como residenciais, tornando-se inconveniente para as empresas a construção de vilas operárias... Favelas, as casas precárias da periferia e cortiços abrigam basicamente as classes trabalhadoras, cujas condições de alojamento expressam a precariedade dos salários. Essa situação tende a agravar-se, na medida em que se vêm deteriorado os salários. Para cobrir os gastos básicos, considerados mínimos - com nutrição, moradia, transporte, vestuário etc.- o trabalhador que recebe salário mínimo deveria atualmente trabalhar 466 horas e 34 minutos mensais, isto é, 15 horas e 55 minutos durante 30 dias por mês... A lógica da acumulação que preside ao desenvolvimento brasileiro recente apoia-se exatamente na dilapidação da força de trabalho. Na presença de uma vasta reserva de mão-de-obra e na ausência de uma sólida organização sindical e política da classe operária, tornou-se fácil aumentar as taxas de exploração. O desgaste de uma força de trabalho subnutrida, em jornadas de trabalho prolongadas e em espinhosas condições urbanas de existência, torna-se possível na medida que a maior parte da mão-de-obra pode ser prontamente substituída... Não são poucas as análises que mostram o caráter “mecânico”, “automático”, “alienado” do comportamento popular nas sociedades de massa. É fácil entender que se sublinhe a apatia política quando se sabe que, ao lado da limitação coercitiva das formas de organização e expressão social, as classes dominantes constróem uma espécie de “cultura da ilusão”. O progresso técnico nos meios de comunicação, o fascínio da TV e a rigidez do sistema político são, sem dúvida, expectativas sempre diferidas “o que eu não posso fazer , meus filhos farão; o futuro será melhor que o presente etc). A ideologia da propaganda faz do consumo -inexistente para a maioria - o valor maior na realização cotidiana. Chama a atenção especialmente a impostura que consiste na criação de uma atmosfera de consumismo numa realidade de carência, a partir da ampla difusão publicitária de artigos de luxo em veículos de comunicação como a televisão, que atingem principalmente uma população para quem falta o essencial” (São Paulo: Crescimento e Pobreza, 1975)
Concluindo este item apontado por nós, devemos considerar que esta inserção da sociedade brasileira na modernidade é total, pois o modelo de desenvolvimento para o nosso país não tinha como objetivo o extermínio da pobreza, muito pelo contrário, sustentava-se sobre ela.

Essa base de sustentação, do modelo de desenvolvimento desigual e combinado colocado em prática no Brasil, que tem como objetivo principal e, portanto, reflete a característica da maneira de viver da sociedade moderna, isto é, o lucro concentrado na mais-valia, também pode ser identificada no processo de Reestruturação da Metrópole Paulista, Reestruturação da Centro do Rio de Janeiro, A Reforma Fiscal, da Previdência etc..., mas esses temas poderão ser trabalhados em um outro momento.

_____________________________________

*Em seu livro - A Construção da Geografia Humana - Quaini faz uma aobordagem geral sobre o desenvolvimento das concepções de geografia. No nosso caso, destacaremos um trecho contido nas páginas 43 e 44 desta obra, o qual nos dará suporte para futuras reflexões: “Para compreender todo o sentido da definição generalizada da geografia humana como ciência que saiu do seio do positivismo ambientalista e, portanto, pode voltar ao problema do nascimento da geografia humana - que representa um problema ainda aberto - devemos reconstruir esquematicamente, até os dias de hoje, a evolução desta geografia que surgiu em torno de 1860... Os desequilíbrios regionais são vistos como fatos naturais, sua explicação apóia-se na riqueza-pobreza do solo e do subsolo, nas dificuldades ambientais, na distância dos centros de produção e de mercado, etc. O efeito é que, por exemplo, o atraso, o isolamento e a marginalização de uma região, na medida em que é vista principalmente em sua dimensão naturalista - a distância como distância física, o isolamento como fato geomorfólogo, a pobreza como fato geológico e jazidas minerais ou de recursos naturais - torna-se causa e, deste modo, toda tentativa de explicação efetiva é impossível. As consequências no plano político operativo são evidentes “este feixe de erros ou de aproximações, cuidadosamente mantido, tende a fazer desempenhar um papel social bem preciso à geografia:convencer os homens à resignação em relação às disparidades regionais, dado que estas seriam antes de mais nada fatos naturais” - Deinis, M., “La geógraphie et les originies des déséquilibres regionaux em France” in La Pensée Géographique...cit,p.685”.


Bibliografia

BERMAN, M. Tudo o que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade. São Paulo: Cia das Letras, 1987

BRESSER, P.L.C. Desenvolvimento e Crise no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1972

BUARQUE, C. O colapso da modernidade brasileira e uma proposta alternativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991.

CALVINO, I. As Cidades Invisíveis. São Paulo: Cia das Letras, 1991.

COMISSÃO de Justiça e Paz. São Paulo 1975: Crescimento e Pobreza. São Paulo:Loyola, 1975.

GIDDENS, A. As conseqüências da modernidade. São Paulo: Ed.Unesp, 1991.

GOLDSMITH, W.W. São Paulo, cidade mundial: indústria, miséria e resistência Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1994

GONÇALVES, C.W.P. Paixão da terra: ensaios críticos de ecologia e geografia. Rio de Janeiro: Pesquisadores Associados em Ciências Sociais-SOCII, 1984.

GOTTIDIENER, M. A teoria da crise e a reestruturação sócio-espacial: o caso dos Estados Unidos. In: VALADARES, L. e PRETECEILLE, E. (coord) Reestruturação Urbana: tendências e desafios. São Paulo: Nobel / IUPERJ, 1991.

GUIMARÃES, E. A. et al. A política científica e tecnológica. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

HABERMAS, J. O discurso filosófico da modernidade. Lisboa: D.Quixote, 1990.

HARVEY, D. Condição Pós-Moderna. São Paulo: Ed. Loyola, 1989.

HIRSCHAMANN A.O. Projetos de desenvolvimento. Rio de Janeiro, Zahar, 1969.

HOBBES, T. Leviathan. London, Collier, MacMillan.

IANNI, O. Cidade e Modernidade. In: SOUZA, M.A.A. et all (Org.) Metrópole e Globalização: Conhecendo a Cidade de São Paulo. São Paulo: Ed. CEDESP, 1999.

JARA, A. et al. Tierras Nuevas, Expansión Territorilal y Ocupación del Suelo en América - Siglos XVI-XIX . México: Ed. El Colégio de México, 1969.

KENNEDY, P. Preparando para o século XXI. Rio de janeiro: Campus, 1993.

KOWARICK, L. A Espoliação Urbana. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993

KOWARICK, L. e BONDUKI, G. N. Espaço urbano e espaço político: do populismo à redemocratização. In: KOWARICK L. (Org.) As lutas sociais e a cidade. São Paulo: Paz e Terra, CEDEC, UNIRIS, 1994.

LACOSTE, Y. Geografia do Desenvolvimento. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1968.

LAVINAS, C. (Org). Reestruturação do espaço urbano e regional no Brasil. São Paulo: Ed. Hucitec/ANPUR, 1993.

LEFEBVRE, H. Introdução à modernidade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1969.

___________. O direito à cidade. São Paulo: Ed. Moraes, 1991.

MARTINS, J. S. O cativeiro da terra. São Paulo: Livraria Editora Ciências Humanas, 1979.

MARX, K. e ENGELS, F . Manifesto do Partido Comunista. Lisboa, Ed. Progresso, 1982.

MOREIRA, R. O que é Geografia. São Paulo: Brasiliense, 1994.

__________. O Círculo e a Espiral - A crise paradigmática do mundo moderno. Rio de Janeiro: Obra Aberta, 1993.

__________. O movimento operário e a questão cidade-campo no Brasil: estudo sobre sociedade e espaço. Rio de Janeiro, Petrópolis: Vozes, 1985.

__________. Repensando a Geografia. In: SANTOS, M. (Org.) Novos Rumos da Geografia Brasileira. São Paulo: Hucitec, 1988.

QUAINI, M. A Construção da Geografia Humana. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.

REIGOTA, M. Educação Ambiental e Ética. In: Muda o Mundo Raimundo! Brasília: Ministério da Educação/WWF, 1997.

ROLNIK, R . A cidade e a lei. São Paulo: Studio Nobel/FAPESP, 1997

__________. Cada um no seu lugar! São Paulo, início da industrialização: geografia do poder. Dissertação (mestrado) – FAU/USP, 1981.


ROUSSEU, J. J. O Contrato Social.

SANTOS, D. A tendência à desumanização dos espaços pela cultura técnica. São Paulo, Depto. de Geografia da PUC/SP, 1995

_________. Sobre os conceitos de revolução e meio técnico-científico. In: Espaço Sociedade Ano 3 n.º 3, Boletim Carioca de Geografia, Rio de Janeiro, 1987/1988

SANTOS, M. A Urbanização Brasileira. São Paulo: Ed. Hucitec, 1993

__________. Espaço & Método. São Paulo: Nobel, 1992.

__________. Metamorfose do espaço habitado. São Paulo: Ed. Hucitec, 1988.

__________. O trabalho do Geógrafo no terceiro mundo. São Paulo: Hucitec, 1986.

__________. Pensando o Espaço do Homem. São Paulo: Hucitec, 1991

__________. Por Uma Economia Política da Cidade. São Paulo: Hucitec, 1994.

__________. Por Uma Geografia Nova. São Paulo: Ed. Hucitec, 1980.

SASSEM, S. A Cidade Global. In, LAVINAS. L, et all. Reestruturação do Espaço Urbano e Regional no Brasil. São Paulo: Hucitec/ANPUR, 1993

SCHUMACHER, E.F. O negócio é ser pequeno: um estudo de economia que leva em conta as pessoas. Rio de Janeiro: Zahar, 1977.

SERRA, J. Ciclo e mudanças estruturais na economia brasileira após guerra. In: Revista de Economia Política, vol. 21, nº6, abr-jun, 1982.

SILVA, G. C. Planejamento Estratégico. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1981.

SMITH, N. Desenvolvimento Desigual. Rio de Janeiro: Ed. Bertrand do Brasil, 1988.

SÓFOCLES. Antígone. São Paulo: Ediouro, tradução de J.B. Mello e Souza.

WALDMAN, M. Tempo, Modernidade e Natureza. In: Geografia, Crítica e Modernidade. Pres. Prudente: Caderno Prudentino de Geografia, 1994.

A importância da água

Valther Maestro



O uso dos rios e oceanos

Quando chove, a água vai para onde? Como se formam as nuvens? A água da chuva pode mudar as paisagens do planeta? Será que o homem faz parte do ciclo da água? Por quê?

Observe com atenção a foto abaixo




Essas fotografias revelam uma triste realidade, um dos elementos importantíssimos para a manutenção das formas de vida do planeta corre perigo. Os rios estão poluídos e, por isso, que em alguns lugares a falta de água já é uma realidade.

Você sabia que as pessoas são únicos seres vivos que conseguem contaminar as águas a ponto de torná-las impróprias para o seu próprio uso? Não é incrível? Como o homem pode abusar e até mesmo acabar com um dos elementos vitais à sua sobrevivência? Por isso, vamos conhecer um pouco sobre os rios.

Como se formam os rios?


























O Brasil é um país com grandes recursos hidrográficos. Existe uma relação direta entre os rios e o Relevo.

Os rios nascem em lugares mais altos e deslocam-se para os lugares mais baixos até encontrar um outro rio ou o mar/oceano.


Legenda: O conjunto de terras banhadas por um rio e seus afluentes formam uma bacia hidrográfica.

Observe o mapa e o croqui de uma bacia hidrigráfica. Veja que geralmente os rios nascem em lugares altos, como planaltos e zonas montanhosas, podem nascer também de lagos ou lagoas. Os rios nascem bem pequenos. São apenas um fiozinho, ou melhor um filete que escorre de uma fonte ou olho-d’água. À medida que avança, o filete aumenta de volume, com a água que recebe de diversas origens: das chuvas, de lagos, do derretimento de neve, etc.

Alguns fatores naturais influem na hidrografia. O relevo por exemplo, ajuda a modelar o curso dos rios. Descendo encosta abaixo, o pequeno rio junta-se a outros e forma um rio com um volume de água cada vez maior. No seu caminho, o jovem rio vai recebendo água de riachos, córregos e rios menores, que se tornam seus afluentes. Depois de percorrer um grande trecho, o rio pode se tornar importante e volumoso.

Que caminhos tomam a água que chega à superfície da Terra?

Verifique a partir da ilustração o caminho percorrido pela água da chuva. Quando ocorre uma precipitação, ou seja, o vapor de água passa para o estado líquido ou sólido, essa água percorre inúmeros caminhos, como por exemplo:

• Ela pode infiltrar-se na terra: ser absorvida pela raiz de uma planta e voltar à atmosfera, depois de passar por caminhos interessantes no interior de uma planta;

• Ela pode chegar a um reservatório subterrâneo e retornar à superfície através de uma fonte;

• Ela também pode cair em uma grande cidade, toda asfaltada e provocar enchentes;

• Essa chuva de água também pode ficar armazenada na superfície da Terra, formando grandes geleiras.

• Também pode cair também em um reservatório ou em um rio que é utilizada para abastecer uma cidade com água potável;

• Pode escorrer pela superfície: poderia ser levada a um riacho, um córrego ou um rio e daí, para o oceano ou o mar;

• Pode evaporar-se: poderia retornar à atmosfera e vagar para bem longe, levada pelo vento;

• Pode também cair em uma área de produção agrícola.

A atmosfera transporta água sem parar, isso acontece por causa do ciclo da água como já observamos. A atmosfera é formada por inúmeros gases e, normalmente por 5% de vapor de água. Também sabemos que a água é fundamental para os seres vivos e que sem a água doce, haveria um sério desequilíbrio na biosfera. Os grandes reservatórios de água doce são formados pelas águas dos rios, lagos, geleiras e pelas águas que se infiltram nos depósitos subterrâneos.

Os grandes rios do Brasil


As Principais Bacias:

Amazônica/ Tocantis

Platina / Paraná-Paraguai-Uruguai

São Francisco


0bserve, no mapa que o nosso país é cortado por grandes rios e assim podemos dividir esse território em três grandes bacias hidrográficas:
- A Amazônica,
- Platina e
- do São Francisco

e, em três bacias secundárias, ou seja, de menor tamanho
- do Nordeste,
- do leste e
- do Sudeste /Sul.

A Bacia Amazônica ocupa uma área enorme, correspondente a mais da metade do território brasileiro. O rio Amazonas percorre a planície Amazônica de oeste para leste. É o maior rio do mundo em extensão, com 7 075 Km, e em volume de água. Isso ocorre porque as chuvas são abundantes nessa região e porque o Amazonas recebe muitos afluentes, que vêm tanto do hemisfério norte quanto do hemisfério sul. Alguns desses afluentes, como o Negro, o Tapajós e o Madeira, estão classificados entre os rios mais extensos do mundo. A navegação aí enfrenta poucos obstáculos.

A Bacia Platina ocupa parte das regiões do Sul e do Sudeste do Brasil. É formado por três rios importantes – Paraná, Paraguai e Uruguai – e seus afluentes. A Bacia Platina não está toda no Brasil. Estende-se também por outros países: Paraguai, Uruguai, Argentina e Bolívia.

O Paraná é o maior rio da bacia Platina. Ele corre num planalto. Para descer o planalto até a foz, o rio Paraná forma 27 quedas d’água. Essas quedas estão sendo aproveitadas para produzir energia elétrica. No rio Paraná, na divisa de São Paulo com o Mato Grosso do Sul, fica situado o conjunto hidrelétrico de Urubupungá, um dos maiores do mundo. A bacia do Paraná sozinha possui cerca de 50% do potencial hidráulico do Brasil.

Apesar de prejudicada pelos desníveis, a navegação é possível em determinados trechos, isso ocorre por causa da construção de eclusas

Eclusas funcionam como degraus ou elevadores para navios: há duas comportas separando os dois níveis do rio. Quando a embarcação precisa subir o rio ela entra pela comporta da eclusa à jusante e fica no reservatório (ou caldeira), que é, então, enchido com água elevando a embarcação para que possa atingir o nível mais alto, à montante. Quando a embarcação precisa descer o rio ela entra pela comporta da eclusa a montante e permanece no reservatório enquanto ele é esvaziado, descendo a embarcação até o nível mais baixo do rio. As comportas abrem-se para a entrada do navio. Observe que a água está ao mesmo nível do lado do navio. Após a entrada, a câmara da eclusa será esvaziada e o navio estará ao nível das águas da comporta ao fundo. Seu objetivo é, portanto, permitir a navegação. Um dos processos de enchimento do reservatório pode ser gravitacional, de modo que não é necessário o uso bombas d'água e motores

O rio Paraguai nasce nas chapadas de Mato Grosso e segue para o Sul, entrando em território paraguaio; daí a origem de seu nome. É um rio de planície, ótimo para a navegação, pois seu leito não apresenta obstáculos.

O rio Uruguai nasce na Serra Geral, servindo de divisa entre os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Dirige-se da costa para o interior e depois segue na direção sul, desaguando no rio da Prata. É um rio de planalto, algumas de suas quedas são aproveitadas para produzir energia elétrica. Esse rio atravessa uma região agropecuária muito rica. A navegação neste trecho é pouco explorada.

A bacia do São Francisco localiza-se inteiramente em território brasileiro. O rio São Francisco nasce na serra da Canastra, em Minas Gerais, e segue para o Nordeste, passando pelos Estados da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Por desempenhar um papel muito importante como via de penetração nessas áreas, é chamado de rio da unidade nacional.

É um rio de planalto e, por isso, apresenta grande riqueza hidrelétrica. Nele se localizam as importantes usinas de Três Marias, Sobradinho e Paulo Afonso.

Apesar de ser um rio de planalto, o São Francisco tem grandes trechos navegáveis. Esse rio atravessa um bom trecho de região semi-árida com pluviosidade pequena e irregular. Na época das secas, é um dos maiores rios do sertão que correm normalmente, quando a maioria desaparece. Por isso, ele é fundamental para a vida da região. Nas épocas de chuvas, ele fertiliza as áreas ribeirinhas, isto é, as terras que ficam ao longo de suas margens, permitindo o cultivo de grande variedade de produtos.

As bacias secundárias

Bacia do Nordeste. É formada por vários rios independentes uns dos outros e que correm do interior, ou seja, do sertão para o litoral. No Nordeste a chuva é irregular: existem áreas, como o litoral, onde chove bastante, enquanto no sertão chove pouco. Assim, nas áreas mais úmidas os rios são perenes, isto é, nunca secam, ao passo que nas áreas mais secas os rios temporários, isto é, ficam cheios apenas durante o período chuvoso. São rios muito importantes para essa região o Mearim e o Parnaíba.

Bacia do Leste. Situa-se entre a bacia do São Francisco e o oceano Atlântico. Ë formada por vários rios independentes que nascem no planalto Oriental e se encaminham para o mar. Os principais rios da bacia do Leste são: Jequitinhonha, doce e Paraíba do Sul.

Bacia do Sudeste e do Sul. Situada entre o planalto Meridional e o oceano Atlântico, essa bacia é formada por um conjunto de bacias hidrográficas independentes. Os rios mais importantes dessa bacia são: Ribeira do Iguape, Itajaí, Tubarão e Jacuí. Ao longo dos vales desses rios desenvolvem-se a agricultura e a pecuária.

O uso da água pela sociedade humana

Os seres humanos utilizam esse recurso aproveitando tanto a água dos rios quanto a água do mar. Atualmente, podemos observar que a água utilizada para o consumo humano, apresenta altos índices de contaminação e por isso deve ser tratada. As estações de tratamento de água são montadas para garantir o abastecimento potável aos seres humanos . No entanto, o uso da água depende da sua disponibilidade da região, do número de habitantes que vão se utilizar desse recurso, do tamanho dos centros urbanos e dos pólos industriais, da sua utilização na agricultura, entre outras coisas. A utilização da água do mar para abastecer as cidades não é viável economicamente devido ao seu alto custo de tratamento. Pois além de realizar o tratamento deve ser feito o processo de dessalinização, ou seja, a retirada do sal da água.

Não podemos esquecer que depois de utilizar á água ela volta para o seu ciclo, mas caso esteja contaminada prejudicará todo o ciclo. Por exemplo, a água consumida nas cidades, na maior parte das vezes, recebe um tratamento antes de chegar à nossas casas. No entanto, depois que a usamos para lavar roupa, cozinhar, tomar banho etc, ela volta pode voltar aos cursos dos rios ou ao mar, caso não seja tratada novamente.




Infelizmente, na maioria das cidades o retorno da água para os rios e para o mar ocorre sem tratamento, e é isso que esta errado. Atualmente, já foi desenvolvido tecnologia suficiente tanto para tratar a água que será consumida, como também para tratar o esgoto proveniente de nossas casas e os efluentes das indústrias.

A água é fundamental também para o desenvolvimento dos processos industriais, e com o crescente desenvolvimento industrial, a quantidade necessária de água para garantir o funcionamento das indústrias foi aumentando, com isso provocando problemas como a escassez e poluição de água, na medida em que, jogam dejetos e substâncias químicas nesses rios.

O Funcionamento da ETE

A água é utilizada de diversas maneiras no dia-a-dia, para tomar banho, lavar louça, na descarga do vaso sanitário. Depois de eliminada, ela passa a ser chamada de esgoto. A origem do esgoto poe ser, além de doméstica, pluvial (água das chuvas) e industrial (água utilizada nos processos industriais). Se não receber tratamento adequado, o esgoto pode causar enormes prejuízos à saúde pública por meio de transmissão de doenças. Seja pelo contato direto ou através de ratos, baratas e moscas. Ele pode ainda poluir rios e fontes, afetando os recursos hídricos e a vida vegetal e animal. Para evitar esses problemas, as autoridades sanitárias instituíram padrões de qualidade de efluentes. Afinal, o planejamento de um sistema de esgoto tem dois objetivos fundamentais: a saúde pública e a preservação ambiental.
Através da rede coletora pública, o esgoto sai das residências e chega à estação de tratamento, denominada ETE. O sistema é longo, pois o esgoto é recolhido por ramais prediais e levado para bem longe, o que exige a realização de grades obras subterrâneas ao longo das ruas.
Uma vez instalada a rede coletora e implantado o sistema de tratamento , é a vez de os usuários fazerem a sua parte. É preciso que cada morador peça a ligação da sua residência à rede coletora para contribuir com a saúde pública e a recuperação ambiental.

http://www.corsan.com.br/sistemas/trat_esg.htm
As enchentes



As chuvas não estão aumentando, elas continuam regulares dentro de um padrão climático, mas existe um aumento das enchentes nas grandes cidades. A constante ocupação de áreas de várzeas é um fator que contribui para o aumento das enchentes. As águas dos rios, normalmente nas épocas de chuva ultrapassam os seus limites, ou seja, ocupam essas áreas que localizam-se próximo as margens e não deveriam ser ocupadas. Quando construímos casas, fábricas ou avenidas nessas áreas elas provavelmente sofrerão os efeitos das enchentes no período das cheias.

Além deste fato, a crescente impermeabilização do solo urbano, é mais um dos motivos que provocam um verdadeiro caos nos meses de alto índice pluviométrico.


Índice pluviométrico é uma medida em milímetros, resultado da somatória da quantidade da precipitação de água (chuva, neve, granizo) num determinado local durante um dado período de tempo.

O problema da água nos dias de hoje

O grande crescimento das cidades e a enorme concentração populacional criaram uma enorme demanda de água. Calcula-se, por exemplo, que a cidade de São Paulo consome aproximadamente 8 bilhões de litros de água por dia.
Simultaneamente a poluição industrial e doméstica destroem a qualidade das águas dos rios para consumo e para manutenção da vida aquática.
Um outro fator importante é que a capacidade de reservar água no subsolo diminuiu por causa da impermeabilização do solo, que faz com que a água não infiltre mais alimentando o lençol freático e chegue mais rápido à calha dos rios, provocando enchentes.
Todos os anos, principalmente nas estações chuvosas, a mídia mostra os danos e sofrimento de um número cada vez maior de pessoas, que sofrem com as enchentes e deslizamentos de morros e barrancos. Isso ocorre principalmente nas grandes cidades, principalmente nos estado do Rio de Janeiro, de Santa Catarina, de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul, da Bahia e de São Paulo.
São pessoas, industriais, comerciantes, prestadores de serviços que perdem tudo. Mas, no entanto, a população carente é a que mais sofre, pois perdem casa, móveis, instrumentos de trabalho, animais, parentes.
Essas são algumas razões que, somadas ao ciclo natural da água, podem levar à escassez desse recurso.
Fonte consultada e adaptada do Encarte especial da AGB – Informa 61 pg. 11

Consumo e escassez de água

A quantidade de água adequada para o consumo humano é mais ou menos constante. Mas o crescimento da população e o crescente desenvolvimento industrial contribuíram para agudizar os problemas de escassez de água, porque implicaram num aumento considerável do consumo.

O problema de abastecimento de água é um dos problemas mais sérios para o próximo milênio. Esse problema agrava-se na medida em que a população e as águas do planeta encontram-se distribuídas irregularmente.




A água está presente mesmo antes do ser humano nascer. É curioso como vive cerca de 42 semanas em meio aquoso! E continua a ser fundamental por toda a vida nas mais diversas funções e no funcionamento de vários órgãos vitais




Um outro fator que agrava o problema da água é que o consumo e desigual, e encontra-se vinculado as condições econômicas, sociais, a infra-estrutura de abastecimento e aos aspectos culturais.


A maneira como a humanidade vem desperdiçando ou poluindo a água poderá provocar uma séria crise no mundo. O consumo aumenta cada vez mais e os reservatórios naturais estão sendo cada vez mais degradados.


A agricultura irrigada, por exemplo, é responsável por cerca de 70% de água retirada dos recursos naturais, os projetos para geração de energia utilizam uma grande quantidade de água e ainda acabam provocando sérios problemas ambientais.

Atualmente a necessidade de tratar a água para o consumo é de extrema necessidade pois na grande maioria a água encontra-se poluída, uma vez que as pessoas e toda atividade industrial são os grandes responsáveis pela poluição dos rios, pois estes recebem praticamente todos os resíduos industriais e esgotos domésticos.

Portanto grande parte dos rios possuem uma enorme concentração de poluentes, impossibilitando o desenvolvimento de qualquer forma de vida, transformando-se num verdadeiro esgoto a céu aberto.

Algumas atitudes podem garantir a preservação e conservação da água como, por exemplo, controlar o consumo, evitar o desperdício e desenvolver alternativas de recuperar a capacidade de preservação dos rios.


A Escassez da Água

A Região Metropolitana de São Paulo, quarta maior concentração urbana do mundo, encontra-se na Bacia do Alto Tietê que tem uma disponibilidade hídrica de 200 m3/habitante/ano, o que representa 10% do valor considerado crítico pela Organização das Nações Unidas.
Compare na tabela de disponibilidade hídrica por região:



Texto: Falta de água pode ser motivo de guerra

A falta de água pode substituir o petróleo como pivô de eventuais guerras entre os países. A conclusão foi divulgada no debate” Água para cidades sedentes”.

Os especialistas prevêem uma crise da água, nos modelos da crise do petróleo dos anos 70. Entre as cidades que sofrerão estão São Paulo e Cidade do México.

Outras cidades que podem ter escassez de água: Cairo e Lagos, na África; Dacca (Bangladesh), Pequim, Shangai (China), Bombaim, Calcutá (Índia), Jacarta (Indonésia) e Karachi (Paquistão), na Ásia.
Nos Estados Unidos, a ameaça é Houston e Los Angeles. Na Europa, Varsóvia (Polônia), Cardiff (Inglaterra) e Tel Aviv (Israel).

Os problemas são graves nas megacidades – com mais de 10 milhões e habitantes. “Mais próximo do ano 2000, muitos países vão ter metade da água que tinha em 75”, disse Arcort Ramachandran, ex- diretor executivo de Habitat.

As causas da falta de água são: o crescimento da população, o desperdício e a contaminação . Hoje, a água potável; é aproveitada assim: 85% de destina à agricultura, 10% à indústria e só 5% ao uso direto.

Segundo dados da ONU, a metade da água potável, depois de ser tratada, é mal usada ou desperdiçada. A perda se produz por vazamentos nos canos, muito antigos, e por ligações ilegais.

Esse desperdício pode ser reduzido, como aconteceu em São Paulo, que durante os últimos dez anos conseguiu baixar para metade as tais perdas com melhoria na canalização.

Mas os especialistas advertiram que a contaminação poderia se converter na principal causa do agravamento da carência de água nas cidades, já que apenas 5% da água usada para a eliminação de resíduos domésticos e da indústria recebem tratamento.

Segundo Saul Arlosoroff, presidente da Comissão para Reforma Hidráulica de Israel, é necessário que os governos de países em desenvolvimento invistam entre US$ 800 milhões de dólares nos próximos dez anos.

Frank Hartuelt, representante do Programa da ONU para o Desenvolvimento, acredita que essa perspectiva é pouco realista, já que a ajuda dos países desenvolvidos, na maioria dos casos, chegaria a 10% desse valor.
Folha de São Paulo. Das agências internacionais. 06/06/1996. Pg. 3


Os Mares e Oceanos: lugares muito importantes.

Você sabia que a vida no planeta Terra surgiu nos mares e oceanos? E que nos mares e oceanos vivem as plantas que produzem a maior parte do oxigênio que nos respiramos. Além disso, nessas áreas encontramos inúmeras formas de vida que podem ser utilizadas para garantir a alimentação e a fabricação de vários remédios...

Ilustração: Mapa-mundi destacando os mares e oceanos
Legenda:
Oceano Pacífico 165.384.000 km2
Oceano Atlântico 82.217.000 Km2
Oceano Índico 73.481.000 Km2
Os oceanos são grandes massas de água líquida que envolvem os continentes. Mares também são massas de água liquida, mas de menos extensão e menor profundidade, ou seja, é a extensão e a profundidade de diferenciam os mares dos oceanos.

Podemos observar que o fundo do mar não é plano. No fundo dos mares e dos oceanos existem muitas formas diferenciadas, por exemplo, no oceano Índico existe uma grande cordilheira submersa, no oceano Atlântico temos a Dorsal Atlântica que também é uma cadeia montanhosa submersa. O ponto mais profundo dos oceanos fica próximo ao Japão, no oceano Pacífico, chama-se fossa das Marianas e apresenta 11.034 m de profundidade.

Desde dos tempos mais remotos a navegação marítima é muito importante. Nos dias de hoje ela é responsável por uma parte muito grande da circulação dos produtos industrializados, bem como das matérias-primas como por exemplo, o petróleo, o minério de ferro, a bauxita, alimentos etc. Esses navios que transportam esses produtos são de formas e tamanhos diferenciados, pois são preparados especialmente para transportas grandes quantidades desses produtos.

Além disso, existem navios pesqueiros, pois a pesca é uma das fontes de alimentação. Os países que fazem fronteira com os mares e oceanos possuem áreas de exclusividade, ou seja, nenhum navio de outro país pode pescar, explorar riquezas ou navegar sem uma autorização previa. No caso do Brasil, nossa área de exclusividade econômica é de 200 milhas, mas existem países que possuem uma menor parcela de área nos mares e oceanos, esse limite varia de 12 a 200 milhas. Além disso, existem áreas consideradas internacionais, que podem ser usadas por todos os países.
Hoje, os espaços marítimos brasileiros atingem aproximadamente 3,5 milhões de km².
O Brasil está pleiteando, junto à Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), a extensão dos limites de sua Plataforma Continental, além das 200 milhas náuticas (370 km²), correspondente a uma área de 963 mil km².
Após serem aceitas as recomendações da CLPC pelo Brasil, os espaços marítimos brasileiros poderão atingir aproximadamente 4,5 milhões de km². Uma área maior do que a Amazônia verde.
Uma outra Amazônia em pleno mar, assim chamada, não por sua localização geográfica, mas pelos seus incomensuráveis recursos naturais e grandes dimensões.
Fonte:www.redeamazoniaazul.net.br/imagens/costa_brasileira
Apesar da sua importância, os seres humanos ainda não conseguiram estabelecer uma relação equilibrada apesar do futuro da humanidade estar nesses ecossistemas marinhos.

Algumas informações importantes sobre o ecossistema marinho:

• Cerca de 20% do suprimento de petróleo mundial vem do fundo do mar;
• Cerca de 6 milhões de toneladas de sal são extraídas do mar a cada ano;
• As ostras e os mexilhões são os moluscos mais importantes para a criação. Eles são cultivados de vários modos em enormes jangadas, em lagos artificias, em estacas, em cordas suspensas no mar em navios ostreiros;
• A coletas de algas se tornam uma importante fonte de alimento. Elas são ricas em vitaminas e sais minerais e crescem abundantemente em muitas áreas;
• Das 5.ooo milhões de toneladas de krill presentes no mar ao redor da Antártida, até 1oo milhões de toneladas poderão ser pescadas por ano. O Krill já vem sendo pescado , e depois congelado ou transformado em pasta
• Bilhões de toneladas de nódulos de manganês ricos em vários metais valiosas são encontrados no fundo dos oceanos
• Os recursos biológicos dos oceanos incluem os peixes “ao natural” e a criação de peixes (maricultura). A criação de peixes é um grande negócio em muitas partes do mundo. Os cientistas estão procurando novos e diferentes recursos alimentares que poderão ser explorados no futuro.
• Além disso tudo, existe a possibilidade de geração de energia elétrica através do movimento das marés.